• Circe Palma

Certezas e Verdades! Julho/20


Estamos aflitos! Confusos também! Há um movimento constante que nos deixa inseguros. Não aponta uma direção. Nossos alicerces, nossos valores parecem ter perdido a nitidez e o significado de certo e errado ficou invisível. Nos sentimos à deriva. Um barco que navega ao sabor das ondas simplesmente. Sejam elas quais forem. As vezes estamos num mar bravio, outras vezes num oceano de calmaria aparente.

O mundo que antes conhecíamos não existe mais e o que se nos afigura a frente, ainda não se mostra como tal. Sentir-se assim num intervalo de tempo, sem que possamos assentar nossas raízes, por certo nos remete a pensar sobre nossas certezas e nossas verdades. Onde estão e quais são?

A mão que busco para meu conforto é desconhecida. Não a posso tocar. O abraço que preciso me é tolhido. A proximidade do outro que me acalma, também não me é pe


rmitida. O olhar. Só este me é possível. E no


olhar do outro, daquele que também quer se aproximar, tocar, vejo o contraponto da minha própria realidade. Relações rápidas, convivência que não se mantém. Alguns valores já estavam opacos, como admiração, respeito. A verdade não mais residia em cada alma. Não havia permanência no mundo em que vivíamos. Permanência não das coisas, dos fatos, mas dos sentimentos, da sensibilidade, do estar junto. Do outro.

Num exercício dolorido de introspecção, entendo que só tenho o caminho de mim mesma. Olhar para o interior de mim mesma e ver. Ver o que tem na minha essência. Ver o que me impulsiona, de fato, para a vida. Uma visão caleidoscópica se apresenta e nas forma


s infinitas que se movem diante de meus olhos vejo a verdade que busco. A força do amor. Amor por cada um dos seres humanos com os quais convivo neste planeta. Amor pela vida que me rodeia em todas as formas. Este olhar me mostra o porto seguro onde estão os verdadeiros valores de um bem viver. Entrelaçar as mãos, envolver-se em abraços afetuosos, carregados de energia que vibra na mesma frequência parece ser a verdade, o caminho. Então meu coração se alegra diante da possibilidade de encontrar esta solução. Entendo que devo me entregar a estes sentimentos de carinho, de afeto, se quiser manter viva a minha presença neste mundo.

A verdade do amor é a única certeza que tenho neste momento.





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  • Circe Palma

Palavras de José Saramago que ilustram com maestria a abençoada relação Pais e Filhos:

"Devemos criar os filhos para o mundo. Torná-los autônomos, libertos, até de nossas ordens.

Especialistas ensinaram-nos a acreditar que só esta postura torna adulto aquele bebê que um dia levamos na barriga. E a maioria de nós pais acredita e tenta fazer isso. O que não nos impede de sofrer quando fazem escolhas diferentes daquelas que gostaríamos ou quando eles próprios sofrem pelas escolhas que recomendamos. Então, filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo! Então, de quem são nossos filhos? Eu acredito que são de Deus, mas com respeito aos ateus digamos que são deles próprios, donos de suas vidas, porém,um tempo precisaram ser dependentes dos pais para crescerem, biológica, sociológica, psicológica e emocionalmente. E o meu sentimento, a minha dedicação, o meu investimento? Não deveriam retornar em sorrisos, orgulho, netos e amparo na velhice? Pensar assim é entender os filhos como nossos e eles, não se esqueçam, são do mundo! Volto para casa ao fim do plantão, início de férias, mais tempo para os fllhos, olho meus pequenos pimpolhos e penso como seria bom se não fossem apenas empréstimo! Mas é. Eles são do mundo. O problema é que meu coração já é deles. Santo anjo do Senhor...

É a mais concreta realidade. Só resta a nós, mães e pais, rezar e aproveitar todos os momentos possíveis ao lado das nossas 'crias', que mesmo sendo 'emprestadas' são a maior parte de nós !!!"






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Na realidade não existem regras fixas que definam uma atitude padrão para estes momentos. Estar isolado impacta nas nossas rotinas de vida. Elas mudaram drasticamente, num piscar de olhos e ninguém se preparou para uma situação como esta. As crianças também não. É preciso saber ajustar-se a este momento que se tornou o nosso dia a dia, mas que ninguém pediu para ter.

Trabalhar em homeoffice não é algo novo. A diferença no entanto é que agora os pais trabalham full time nesta modalidade e não fazem nada mais fora de casa. Não existem mais as saídas aos parques, aos shoppings, as visitas aos avós, aos tios aos amigos, enfim.

São outras rotinas as que se impõe agora. As crianças pequenas, as que ficam em escolinhas infantis, tem as “tias”, os amiguinhos, os brinquedos, etc. Perderam tudo isto e não sabem porquê. Nesta faixa de idade a afetividade é uma mola mestra que gerencia todo o comportamento infantil. Se alguma coisa dá errado, “alguém” (pai, mãe, tia, professora, etc) “não gosta mais de mim”. É um raciocínio lógico que a criança vai ajustar bem mais tarde.

Portanto, é muito importante, que os pais ou os adultos envolvidos com elas, lhes expliquem o que está acontecendo. Existem vídeos infantis que mostram de forma lúdica o motivo de estarmos isolados. Quando entendem que não são elas as culpadas, e que não fizeram nada errado, isto alivia, e muito, a angústia que possa estar acontecendo. O fato de não poder brincar com os amigos é bastante estressante, pois nesta fase a criança está aprendendo a se sociabilizar, a conviver em grupo, etc., características do viver em sociedade. E é no brincar que muitas destas aprendizagens acontecem. O imaginário infantil é carregado de simbolismos que refletem o que vai no íntimo dos pequenos e que eles não sabem explicar (porque não tem entendimento nem vocabulário para tanto). O desenho, o grafismo também expressam os sentimentos. Então oferecer à criança oportunidades para brincar com lápis, tinta, papel, materiais que possam servir para estas representações é de fundamental importância. As brincadeiras de fazer de conta, representar personagens trazem à tona uma realidade que, claro, não existe, mas para as crianças é verdadeira. Elas incorporam o personagem com força e convicção, exercitando, assim a criatividade, habilidade fundamental para o equilíbrio emocional.

É preciso que os pais entendam estas necessidades infantis porque elas precisam ser ofertadas para os filhos. Brincar com eles, participando das suas invenções, transformando a sala numa floresta onde foram acampar, por exemplo. Ou empoleirar-se no sofá da sala, ou mesmo na cama, no quarto dos pais, transformando-os num imenso navio, onde todos estão a bordo (de preferência toda a família) e, a partir daí, criar situações de perigo, de suspense, enfim, onde a imaginação levar.

Mas para que isto aconteça, é necessário que a família adote uma rotina de tarefas. Combinem horários: Horário de ver TV, horário de brincar no tablet, no computador, horário de trabalho dos pais (e aqui vai uma dica: os pais também devem se impor estes horários para não trabalharem o tempo todo), horário de dormir, de acordar, enfim. E principalmente horário de brincar com os filhos. Todos na casa precisam organizar e seguir as rotinas combinadas.

Com as crianças maiores, depois dos 5 anos, a situação é outra. Não muito diferente em alguns aspectos. Mas as crianças nesta faixa estão em outro período do desenvolvimento. Já aprenderam a ler, ainda gostam de ouvir histórias (os menores), e tem nas tecnologias um grande aliado para seu divertimento. Evidentemente nada pode assumir o exagero. Então ficar a maior parte do tempo fazendo a mesma coisa (por exemplo, apenas no tablet, nos jogos eletrônicos, enfim no uso de artefatos tecnológicos), não é plenamente saudável. Os jogos para as crianças mais velhas, tem um sabor de descobertas, de satisfação de vencer desafios, etc. Jogos de tabuleiro, com a família, com os pais, ou apenas entre os irmãos, são bastante recomendados. Mas da mesma forma que os eletrônicos, eles não devem ser os únicos. Jogos de adivinhação, de desafios, que remetem aos raciocínios lógicos, são muito bem aceitos nesta idade. Apesar do protagonismo dos eletrônicos, os jogos que não dependem destas mídias ainda oferecem muito interesse para os pequenos. Numa sociedade em que as tecnologias eletrônicas se tornam recursos importantes seria totalmente sem sentido impedir que as crianças se valessem deles tanto para construir seus conhecimentos, quanto para seu divertimento.

Então, a atitude mais sensata dos pais, deveria ser um bom equilíbrio entre a permissão para tais atividades, orientando e participando com os filhos de todas as suas tarefas, e o acompanhamento da realização delas. De tal modo, que todos pudessem se divertir, trabalhar e acompanhar o desfecho deste, que é um período bastante difícil para todos nós, especialmente para as crianças. No entanto, é preciso ficar atento para que as cobranças não assumam papel de vilãs, nas atividades de um dia a dia que se impôs tão repentinamente.

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