Na realidade não existem regras fixas que definam uma atitude padrão para estes momentos. Estar isolado impacta nas nossas rotinas de vida. Elas mudaram drasticamente, num piscar de olhos e ninguém se preparou para uma situação como esta. As crianças também não. É preciso saber ajustar-se a este momento que se tornou o nosso dia a dia, mas que ninguém pediu para ter.

Trabalhar em homeoffice não é algo novo. A diferença no entanto é que agora os pais trabalham full time nesta modalidade e não fazem nada mais fora de casa. Não existem mais as saídas aos parques, aos shoppings, as visitas aos avós, aos tios aos amigos, enfim.

São outras rotinas as que se impõe agora. As crianças pequenas, as que ficam em escolinhas infantis, tem as “tias”, os amiguinhos, os brinquedos, etc. Perderam tudo isto e não sabem porquê. Nesta faixa de idade a afetividade é uma mola mestra que gerencia todo o comportamento infantil. Se alguma coisa dá errado, “alguém” (pai, mãe, tia, professora, etc) “não gosta mais de mim”. É um raciocínio lógico que a criança vai ajustar bem mais tarde.

Portanto, é muito importante, que os pais ou os adultos envolvidos com elas, lhes expliquem o que está acontecendo. Existem vídeos infantis que mostram de forma lúdica o motivo de estarmos isolados. Quando entendem que não são elas as culpadas, e que não fizeram nada errado, isto alivia, e muito, a angústia que possa estar acontecendo. O fato de não poder brincar com os amigos é bastante estressante, pois nesta fase a criança está aprendendo a se sociabilizar, a conviver em grupo, etc., características do viver em sociedade. E é no brincar que muitas destas aprendizagens acontecem. O imaginário infantil é carregado de simbolismos que refletem o que vai no íntimo dos pequenos e que eles não sabem explicar (porque não tem entendimento nem vocabulário para tanto). O desenho, o grafismo também expressam os sentimentos. Então oferecer à criança oportunidades para brincar com lápis, tinta, papel, materiais que possam servir para estas representações é de fundamental importância. As brincadeiras de fazer de conta, representar personagens trazem à tona uma realidade que, claro, não existe, mas para as crianças é verdadeira. Elas incorporam o personagem com força e convicção, exercitando, assim a criatividade, habilidade fundamental para o equilíbrio emocional.

É preciso que os pais entendam estas necessidades infantis porque elas precisam ser ofertadas para os filhos. Brincar com eles, participando das suas invenções, transformando a sala numa floresta onde foram acampar, por exemplo. Ou empoleirar-se no sofá da sala, ou mesmo na cama, no quarto dos pais, transformando-os num imenso navio, onde todos estão a bordo (de preferência toda a família) e, a partir daí, criar situações de perigo, de suspense, enfim, onde a imaginação levar.

Mas para que isto aconteça, é necessário que a família adote uma rotina de tarefas. Combinem horários: Horário de ver TV, horário de brincar no tablet, no computador, horário de trabalho dos pais (e aqui vai uma dica: os pais também devem se impor estes horários para não trabalharem o tempo todo), horário de dormir, de acordar, enfim. E principalmente horário de brincar com os filhos. Todos na casa precisam organizar e seguir as rotinas combinadas.

Com as crianças maiores, depois dos 5 anos, a situação é outra. Não muito diferente em alguns aspectos. Mas as crianças nesta faixa estão em outro período do desenvolvimento. Já aprenderam a ler, ainda gostam de ouvir histórias (os menores), e tem nas tecnologias um grande aliado para seu divertimento. Evidentemente nada pode assumir o exagero. Então ficar a maior parte do tempo fazendo a mesma coisa (por exemplo, apenas no tablet, nos jogos eletrônicos, enfim no uso de artefatos tecnológicos), não é plenamente saudável. Os jogos para as crianças mais velhas, tem um sabor de descobertas, de satisfação de vencer desafios, etc. Jogos de tabuleiro, com a família, com os pais, ou apenas entre os irmãos, são bastante recomendados. Mas da mesma forma que os eletrônicos, eles não devem ser os únicos. Jogos de adivinhação, de desafios, que remetem aos raciocínios lógicos, são muito bem aceitos nesta idade. Apesar do protagonismo dos eletrônicos, os jogos que não dependem destas mídias ainda oferecem muito interesse para os pequenos. Numa sociedade em que as tecnologias eletrônicas se tornam recursos importantes seria totalmente sem sentido impedir que as crianças se valessem deles tanto para construir seus conhecimentos, quanto para seu divertimento.

Então, a atitude mais sensata dos pais, deveria ser um bom equilíbrio entre a permissão para tais atividades, orientando e participando com os filhos de todas as suas tarefas, e o acompanhamento da realização delas. De tal modo, que todos pudessem se divertir, trabalhar e acompanhar o desfecho deste, que é um período bastante difícil para todos nós, especialmente para as crianças. No entanto, é preciso ficar atento para que as cobranças não assumam papel de vilãs, nas atividades de um dia a dia que se impôs tão repentinamente.

  • Circe Palma

A paciência da espera!




Quanto tempo falta? Há sempre um pouco de angústia na espera. Uma espécie de aflição quanto ao que vai acontecer. Como se precisássemos saber o que virá. Confiar e esperar não é uma tarefa fácil para nenhum de nós. As incertezas nos maltratam diante das possibilidades que nossa imaginação cria.

A paciência. Outro aprendizado que havíamos esquecido. “ A paciência é mãe da sabedoria” diz um provérbio. Exigimos isto das crianças mas, enquanto adultos, não sabemos exercitar esta tal paciência. Ser paciente é ser sábio. Sábios porque não nos angustiamos diante daquilo que não sabemos. Simplesmente aguardamos. E o que vier, virá.

O medo. Este se impõe com todas as formas horrendas que ele tem. Nos ataca até que o enfrentamos. E aí descobrimos que ele é extremamente frágil. Quando as crianças tem medo do escuro, porque justificam dizendo que há monstros dentro dos armários, nós, adultos, as convencemos que ao acender a luz, os monstros vão embora. Então, agora mais do que nunca precisamos acender a luz. Iluminar nossos ambientes internos e descobrir o que temos ali. De fato, não há monstros. Há uma realidade passível de ser enfrentada, desde que possamos nos permitir este enfrentamento.

A força. Todos a tem. Apesar de nem sempre saberem usá-la. Alguns a subestimam ao não se julgarem capazes. Outros a superestimam, julgando-se melhores e mais capazes. Uma medida que não é honesta: o outro. Nossa força é só nossa e não precisa do parâmetro de nenhuma outra. É preciso apenas reconhecer e receber a força que se tem. Assim, poderemos usá-la a nosso favor e para auxiliar aquele que está buscando a sua.

A coragem. Aliada da força e todos também a tem. Mas não sabem. Não a experimentam. Nem sempre se permitem. O certo é que ela aparece. Em momentos difíceis ela se apresenta e se torna nossa fiel escudeira. Alia-se à coragem, mostra-se poderosa diante do medo e traz consigo uma ferramenta muito importante para os combates: a paciência.

Portanto, ao “acender a luz”, a nossa luz, poderemos ver que estamos cercados destas ferramentas de luz que por certo irão nos auxiliar nos momentos mais difíceis de nossas vidas.

Como este que estamos vivendo agora! Este encontro conosco nos permite conhecer muito de nós mesmos. Tenhamos fé e acreditemos em nossa força, em nossa coragem.

E com paciência saibamos esperar!

  • Circe Palma

E os dias ficaram mais longos! O tempo parecia ter se alargado. E muito mais do que até então, agora era possível criar, construir, fazer. Havia tempo para ouvir. Tempo para falar. Tempo para criar. Tempo para amar, para acarinhar. Tempo para pensar.

Uma sensação de leveza pairava no ar, a despeito do sofrimento de alguns, aplacado por aqueles que se dedicavam inteiramente a árdua e triste tarefa de salvar vidas. E, aos mais sensíveis e atentos, até mesmo a natureza parecia agradecer aos olhos que a contemplava pelas janelas.

A Terra, também se curava. Das dores, dos sofrimentos que lhes havia sido imposto. E através das árvores, dos jardins, das flores, o planeta parecia voltar a sorrir. Isto nos impactava e, ao mesmo tempo, nos alegrava, sem que pudéssemos entender exatamente o que estava acontecendo. E era possível perceber uma força, uma energia que girava em torno de cada um e de todos os seres vivos. Homens, plantas e animais.

A alegria que prometia se fazer presente, as vezes não aparecia. O medo, sim. Do desconhecido todos tem medo. A confiança, a certeza. Estas, armas poderosas para enfrentar os medos. E tudo voltava a ficar novamente colorido. A maior certeza, no entanto, era o fato de saber que estavamos juntos. Saber que nos auxiliávamos uns aos outros, trazendo tudo de que cada um precisava. Alimentos, conforto, esperança, carinho.

E foi deste modo, que saímos da dor para o amor.

Os sentimentos fluíam de varias formas. Às vezes tristeza, outras vezes o temor de não suportar, outras vezes a incerteza do que poderia vir. Mas, sempre permanecia, por fim a certeza, a fé, a confiança que chegava a cada um, vinda de um não sei onde, que por certo alguém, em oração, emanava à toda a humanidade.

E foi assim, que passo a passo, caminhamos para um mundo novo, onde não só o planeta sobreviveu, mas os seres humanos, através da imensa força que surge em todos os que amam.

O amor é a força maior que tudo vence. Por isto, logo estaremos vivendo num mundo de paz, de harmonia onde os afetos, os amores, os carinhos irão prevalecer a qualquer novo desafio.


  • Facebook
as-passeadeiras-logo.png