• Circe Palma

A paciência da espera!




Quanto tempo falta? Há sempre um pouco de angústia na espera. Uma espécie de aflição quanto ao que vai acontecer. Como se precisássemos saber o que virá. Confiar e esperar não é uma tarefa fácil para nenhum de nós. As incertezas nos maltratam diante das possibilidades que nossa imaginação cria.

A paciência. Outro aprendizado que havíamos esquecido. “ A paciência é mãe da sabedoria” diz um provérbio. Exigimos isto das crianças mas, enquanto adultos, não sabemos exercitar esta tal paciência. Ser paciente é ser sábio. Sábios porque não nos angustiamos diante daquilo que não sabemos. Simplesmente aguardamos. E o que vier, virá.

O medo. Este se impõe com todas as formas horrendas que ele tem. Nos ataca até que o enfrentamos. E aí descobrimos que ele é extremamente frágil. Quando as crianças tem medo do escuro, porque justificam dizendo que há monstros dentro dos armários, nós, adultos, as convencemos que ao acender a luz, os monstros vão embora. Então, agora mais do que nunca precisamos acender a luz. Iluminar nossos ambientes internos e descobrir o que temos ali. De fato, não há monstros. Há uma realidade passível de ser enfrentada, desde que possamos nos permitir este enfrentamento.

A força. Todos a tem. Apesar de nem sempre saberem usá-la. Alguns a subestimam ao não se julgarem capazes. Outros a superestimam, julgando-se melhores e mais capazes. Uma medida que não é honesta: o outro. Nossa força é só nossa e não precisa do parâmetro de nenhuma outra. É preciso apenas reconhecer e receber a força que se tem. Assim, poderemos usá-la a nosso favor e para auxiliar aquele que está buscando a sua.

A coragem. Aliada da força e todos também a tem. Mas não sabem. Não a experimentam. Nem sempre se permitem. O certo é que ela aparece. Em momentos difíceis ela se apresenta e se torna nossa fiel escudeira. Alia-se à coragem, mostra-se poderosa diante do medo e traz consigo uma ferramenta muito importante para os combates: a paciência.

Portanto, ao “acender a luz”, a nossa luz, poderemos ver que estamos cercados destas ferramentas de luz que por certo irão nos auxiliar nos momentos mais difíceis de nossas vidas.

Como este que estamos vivendo agora! Este encontro conosco nos permite conhecer muito de nós mesmos. Tenhamos fé e acreditemos em nossa força, em nossa coragem.

E com paciência saibamos esperar!

  • Circe Palma

E os dias ficaram mais longos! O tempo parecia ter se alargado. E muito mais do que até então, agora era possível criar, construir, fazer. Havia tempo para ouvir. Tempo para falar. Tempo para criar. Tempo para amar, para acarinhar. Tempo para pensar.

Uma sensação de leveza pairava no ar, a despeito do sofrimento de alguns, aplacado por aqueles que se dedicavam inteiramente a árdua e triste tarefa de salvar vidas. E, aos mais sensíveis e atentos, até mesmo a natureza parecia agradecer aos olhos que a contemplava pelas janelas.

A Terra, também se curava. Das dores, dos sofrimentos que lhes havia sido imposto. E através das árvores, dos jardins, das flores, o planeta parecia voltar a sorrir. Isto nos impactava e, ao mesmo tempo, nos alegrava, sem que pudéssemos entender exatamente o que estava acontecendo. E era possível perceber uma força, uma energia que girava em torno de cada um e de todos os seres vivos. Homens, plantas e animais.

A alegria que prometia se fazer presente, as vezes não aparecia. O medo, sim. Do desconhecido todos tem medo. A confiança, a certeza. Estas, armas poderosas para enfrentar os medos. E tudo voltava a ficar novamente colorido. A maior certeza, no entanto, era o fato de saber que estavamos juntos. Saber que nos auxiliávamos uns aos outros, trazendo tudo de que cada um precisava. Alimentos, conforto, esperança, carinho.

E foi deste modo, que saímos da dor para o amor.

Os sentimentos fluíam de varias formas. Às vezes tristeza, outras vezes o temor de não suportar, outras vezes a incerteza do que poderia vir. Mas, sempre permanecia, por fim a certeza, a fé, a confiança que chegava a cada um, vinda de um não sei onde, que por certo alguém, em oração, emanava à toda a humanidade.

E foi assim, que passo a passo, caminhamos para um mundo novo, onde não só o planeta sobreviveu, mas os seres humanos, através da imensa força que surge em todos os que amam.

O amor é a força maior que tudo vence. Por isto, logo estaremos vivendo num mundo de paz, de harmonia onde os afetos, os amores, os carinhos irão prevalecer a qualquer novo desafio.


  • Circe Palma



O fato é que não sabíamos mais viver um dia de cada vez. Vivíamos o amanhã. O próximo fim de semana, o próximo feriado, a próxima compra, a próxima viagem, o próximo carro... o próximo... o próximo... enfim. E o hoje? O Agora? Jogávamos lá pra frente e seguíamos tocando.

Não foram poucas as vezes que ouvimos alguém referir que não tinha tempo. E sempre acompanhado do “desculpas, mas não posso, não tenho tempo”. Não tínhamos tempo para esperar, para olhar a necessidade do outro, a companhia e a presença deste outro, ainda que fosse alguém muito próximo, como um filho até. “Agora a mãe, o pai não pode, depois a gente brinca”. E o filho, na sua simplicidade aceitava, aquietava-se, mas sabia que este depois nunca chegaria. Aos familiares, aos amigos, aos colegas, então...nem pensar que seríamos capazes de dispor do nosso precioso tempo. O trabalho nos consumia e nem ao menos sabíamos porque trabalhávamos. Para ter mais condições de ... consumir? Mostrar algum status pelo qual fossemos admirados? Ocupar um lugar de destaque na pirâmide social? Enfim.....Talvez ... Mas a que preço tudo isto?

Porque chegamos neste ponto? Porque aceleramos de tal forma a roda da vida que, semelhante ao gira-gira das pracinhas de brinquedo, não conseguíamos mais parar, porque algum outro acelerava mais e mais. Estávamos tontos, perdidos. Sem saber onde seria o freio daquilo tudo. E ainda pior, sem perceber o quanto estávamos sem direção e em qual rota de colisão estaríamos indo.

Então, de uma forma repentina, muito repentina, paramos. Fomos obrigados a parar. Nos isolamos uns dos outros e só então, percebemos que estes outros existem. E, tristemente observamos que eles se vão em grandes grupos e que ficamos inertes quanto a isto. Que precisamos deles! Que não conseguimos viver assim tão longe, e, no entanto tão perto. Experiências amorosas começaram a surgir. Estamos solidários, atentos ao outro que precisa de algo que possamos oferecer, de nós portanto. Notamos as presenças, as vidas e, ao mesmo tempo olhamos para nós mesmos.

E o que vimos? Quem vimos?

Esta é uma reflexão profunda que a cada um de nós cabe fazer. Muitos descobrem o quanto de si mesmos não conheciam. Outros percebem a importância que nem sabiam que tinham. E por aí vai. A reflexão que podemos fazer neste momento, porque estamos vivendo o agora nos traz o que precisamos. Nos mostra que é possível parar e viver. Simplesmente viver. Ser alguém, independente daquilo que temos.

Viver um dia de cada vez nos traz o tempo que precisamos para nos encontrar conosco mesmo e assim nos voltar para toda a humanidade, na pessoa daquele que estiver amorosamente mais perto de nós.

Que Deus nos abençoe a todos!

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