• Circe Palma

Porque Brincar é tão importante para as crianças!

Atualizado: 21 de Set de 2019

Brincar significa, para uma criança, muito mais do que se distrair apenas. Quando brinca ela entra num mundo imaginário onde tudo pode se realizar. As possibilidades de sua criação tomam forma e, tanto personagens quanto cenário, passam a existir de fato. Nesse brincar ela elabora seus medos, domina suas emoções, resolve seus conflitos.


Se um adulto pudesse entrar na fantasia infantil no momento em que a brincadeira esta se realizando, por certo, ele ficaria surpreso e também encantado. Na história da Alice no País das Maravilhas, encontramos muitos personagens que nos mostram e nos falam deste universo. Cada um deles se apresenta com vida própria,com personalidade e características que levam aquele que lê a um  mundo de possibilidades.


Quando brincam as crianças parecem estar envolvidas em um mundo que não existe. Não existe aos olhos do adulto que ve lógica e praticidade em tudo a sua volta. Na fantasia das crianças as mães nem sempre são tão exigentes, os pais ficam todo o tempo com elas. Os irmãos, que existem de fato, no imaginário ainda nem nasceram.



Porque brincar é tão importante para as crianças!


 A beleza deste atemporal, onde espaço também não conta, está justamente nas possibilidades que ele permite. As crianças não entendem muitas coisas, mas são dotadas de uma fantástica capacidade de captar. Como antenas, são receptivas ao sentimentos, as emoções, a tudo que lhes inspire afetos. Têm uma mente aberta para isto. Portanto, nas historinhas que criam, há morte, mas não há sofrimento. Há perdas, mas não há lamentos. É como se uma certa ignorância dos fatos lhes favorecesse a elaboração destas perdas, destes lutos que nem sempre são reais. E quando o são, participam da mesma forma. De um modo tranquilo, quase  irreal de aceitação.


 Quando perdem pais ou mães, na realidade, (que são os mais próximos e mais ligados a sua sobrevivência) as crianças, num primeiro momento, encenam os fatos. Como se trazendo-os para a fantasia pudessem lidar melhor com eles. Levam algum tempo elaborando estas perdas reais, mas brincam muito neste período. Criam, imaginam, encenam, representam e deste modo enfrentam a realidade difícil destas ausências tão importantes.


Freud, dizia que “toda fantasia é realização de desejo funcionando como uma espécie de correção da realidade insatisfatória”.

Enquanto for possível se refugiar na fantasia (para que as dificuldades não tenham a força de nos fazer sucumbir diante da realidade), é preciso que se deixe a imaginação agir. Por certo iremos flutuar neste universo irreal que reflete nossas dores e desafetos, nossos anseios e tristezas. Depois, então, desta incursão, assim desmedida,  iremos com suavidade de volta para o mundo  real.


Assim agem as crianças quando brincam.  Por isto são tão felizes no seu brincar.

  • Facebook
as-passeadeiras-logo.png