• Circe Palma

Devagar estou voltando

Devagar estou voltando. Com medo, insegura, sem entender exatamente o que está acontecendo, mas com alguma esperança a me acompanhar. Piso leve, com cuidado, buscando certezas, que ninguém tem. Segurança que não se mostra. Mas sigo. De algum lugar tiro coragem e confiança. O sol, que aparece tímido, me faz promessas. Eu acredito, com toda a força que ainda penso ter. Nada garante a certeza da vida. Então questiono se, de fato, é esta a vida que busco ter. A mesma vida que sempre tive.



Sim, eu quero minha vida de volta. Mas a nebulosidade em que me vejo envolvida não me mostra o mesmo caminho. Meus passos, incertos, buscam a urgência de um novo andar, para que eu me mantenha na estrada. A estrada árida, seca, onde a vida está perecendo? Não. Esta eu não quero. Tenho comigo, bem presente, que há outro caminho. No entanto, ele não se mostra ainda. Percebo, então, que eu preciso de novas lentes. Eu preciso mais do que simplesmente ver. Preciso enxergar além. Adiante, a frente. Olhar para as possibilidades que, estas sim, se apresentam para que eu as escolha. Se mostram no colorido da vida, no som da natureza, no gosto da presença de cada pessoa que se aproxima. Fiquei por muito tempo longe delas. Descubro que suas ausências me doem na alma, no coração. Afastar-me revelou a necessidade que tenho de cada um. Posso agora constatar o quanto precisamos uns dos outros.


Eu quero, sol, vida, amor, felicidade e paz, sobretudo paz. A paz que existe no coração das crianças. Aprendo que a verdade só habita um mundo em paz. É isto o que eu mais quero.

No silêncio desta busca encontro muito mais. Encontro pedaços de mim mesma, peças que antes não se encaixavam, mas que agora fazem todo sentido.


Sinto, então, que o segredo se revela. A vida precisa ser vivida no seu aqui e agora. No seu presente. O amanhã ainda não aconteceu e o que passou já não existe mais. Para viver só preciso do presente. Só posso ser feliz agora. Não é possível adiar mais.

Então decido. A estrada para a qual devo me dirigir é esta. A do amor, do compartilhar, do viver junto. Assim, com a alma saciada e plena, sabendo o que quero, posso me dirigir ao outro. E ali, no conforto de abraços fortes, amorosos, na acolhida de olhares carinhosos, encontro o que busco: a paz, o amor que embala a vida. É assim que estou recomeçando.


Circe Palma - Psicopedagogia e Terapia Familiar

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