• Circe Palma

A humanidade está doente

Sim, a humanidade adoeceu.

Tantas faltas lhe faltaram que já não consegue quase andar.

Faltou amor, compaixão, sensibilidade e doação.

Faltou o olhar que vê a alma, que olha o interior, que sente, que compreende, que se dispõe.

Faltou a mão estendida para aquele que precisa, o abrigo, até mesmo a comida a quem tem fome faltou.

Um triste viver é o que sobrou.





Tantas faltas lhe faltaram, que a humanidade já não consegue nem mesmo viver.

O homem não enxerga, nem vê. Não busca e nem sabe o que quer.

Querendo de tudo que está ao seu redor, perdeu o sentido de um viver maior.

O vazio o consome muito mais do que aquilo que ele busca consumir.

A procura desenfreada de sabe-se lá o quê não lhe deixa ver a realidade, a verdade.


E nestas faltas todas o que lhe sobrou foi a dor, a dor dos que se foram, a dor do escuro em que ficou.


Mas é preciso acordar.

Há ,sim, um mundo à nossa frente. Há uma vida que nos espera, há um tempo para recuperar. Há sobretudo a possibilidade de um novo recomeço.


Tantas faltas já faltaram que não se pode mais aceitar.

Ainda há o sorriso do olhar, a mão que oferece abrigo e a mão que alimenta, ainda se apresenta.

O abraço que acolhe, que aconchega não foi embora.

O carinho e o amor não se retiraram, não abandonaram esta sofrida humanidade,

ao contrário, pedem espaço para entrar, para ficar, para amar e gostar.

Cada mulher, homem ou criança sabe que as faltas que faltaram libertaram a esperança, e das faltas que faltaram nenhuma mais se apresentou.

Nenhuma mais faltou.


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