• Circe Palma

Sobre se isolar!

O isolamento




Cria-se um espaço. Um espaço que nunca, ou poucas vezes, nos deparamos. E neste lugar nos encontramos com o outro. Este outro: um filho, um companheiro, um pai, uma mãe, enfim qualquer familiar. Laços de sangue nos unem. Tudo bem. Mas nós não escolhemos, nem decidimos sobre estes laços. E ali estamos, lado a lado com estas pessoas, que dizemos amar (e até amamos mesmo) , mas com quem quase nunca nos defrontamos, para poder sentir este amor.

Andamos lado a lado, mas não nos aproximamos. Vivemos na rotina, na correria dos nossos afazeres em busca de nossos interesses (muitas vezes, interesses justos, pois servem de sustento para este grupo). Mas há uma distância, aprofundada pela diferença destes mesmos interesses, e assim, nos afastamos do convívio amoroso que poderíamos ter com este grupo.

Neste momento, em que uma situação difícil nos ameaça a vida, nos aproximamos e, por ironia, não podemos nos abraçar, nos beijar, nem manifestar nossos afetos. Um paradoxo até. Mas é preciso saber "ler nas entrelinhas" para poder perceber o quanto podemos aprender com este momento. Acredito, que nunca tivemos (pelo menos durante nossa vida pessoal - ) nenhum momento que possa se igualar a uma experiência com a profundidade desta.

Nunca estivemos tão perto, mas tão longe. Então, somos forçados a nos voltar uns para os outros e perceber o sentimento e o amor que de fato existe em cada um e por cada um. Somos levados a expressar uma amorosidade que havíamos esquecido de olhar.

E, como num movimento de espiral ascendente, este sentimento se expande para todos os outros, para toda a família, amigos, vizinhos, compatriotas, enfim, para todos os seres humanos do planeta e, como se fosse magia, nos sentimos, cada um em particular, confortados por um grande abraço coletivo e amoroso.

Nossa visão se turva num primeiro momento, e depois se amplia numa imensa esfera que pulsa na frequência do bem estar, do alívio, do bem querer, do verdadeiro amor uns pelos outros.

Temos assistido isto acontecer. Nem todos estão com seus olhos abertos e ouvidos atentos, mas é exatamente o que está acontecendo. Há compaixão, há solidariedade, há respeito. Está nascendo um mundo bom pra se viver e, assim estará terminando o isolamento.

Ouso dizer que isolados estávamos antes de toda esta experiência tão dolorida.

Agora estamos verdadeiramente juntos!

Que Deus nos abençoe a todos!

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